segunda-feira, 19 de outubro de 2009








Apresentação da Actividade Integradora

“A evolução do secretariado”


PROGRAMA
14:00 - Recepção dos convidados
14:30 - Abertura
14:45 - A evolução do secretariado
14:55 - Ergonomia no posto de trabalho
15:05 - Código deontológico
15:15 - Legislação
15:25 - Competências do secretariado
15:40 - Visualização de um teatro
15:55 - A evolução e importância do vestuário
16:05 - Intervenção da oradora Dr.ª Ana Luz
16:30 - Encerramento
16:40 - Beberete




Promovido e Realizado pelas Formandas do Curso EFA Técnico/a de secretariado de nível secundário.



Agradecemos a V/ presença.Agradecemos ainda a todos os envolvidos que nos ajudaram a realizar o nosso trabalho.









sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Costumes e Tradições da Marinha Grande

Bandeira da Marinha Grande




Bandeira, Brasão e Armas

( foto retirada do site www.google.pt)


Armas - Escudo de ouro, um feixe de três canas de vidreiro de vermelho com punhos de negro, tendo em orla cinco pinhas de verde; campanha diminuta de verde e prata de três tiras. Coroa mural de prata com três torres. Listel branco, com a legenda a negro: “ FREGUESIA DE MARINHA GRANDE".

( foto retirada do site www.google.pt)



Bandeira - De verde. Cordão e borlas de ouro e verde. Haste e lança de ouro.

Foi apresentada a 28 de Janeiro de 1921, à associação dos Arqueólogos Portugueses a primeira proposta para Armas, Bandeira e Selo da Marinha Grande, sendo objecto de várias alterações segundo as regras oficiais da época, sendo ainda modificada pela comissão Heráldica em 20 de Novembro de 1934. Ficando então com a seguinte simbologia : Armas – De vermelho, com um pinheiro de ouro frutado de verde, sustido de negro realçado de ouro, saínte de contra-chefe de dunas de areia de prata, o tronco do pinheiro acompanhado de duas vieiras de ouro. Coroa mural de prata com quatro torres. Listel branco com os dizeres a negro “ Vila da Marinha Grande”.O vermelho do campo indica heraldicamente a força, o vigor, a actividade, enfim , a constante energia. O pinheiro, o realce do seu tronco e as vieiras, são de ouro, por este ser o metal mais rico e por significar poder e liberdade. O frutado de verde é associado à firmeza e honestidade. As dunas de areia de prata esmalte denotam humildade e riqueza. Bandeira - Foi desenhada pelo marinhense João de Magalhães Júnior logo após a restauração do concelho. Esquartelada de amarelo e negro, cordões e borlas de ouro e negro. Haste e lança de ouro.Selo - circular, tendo ao centro as peças de armas sem indicação aos esmaltes. Em volta dentro dos círculos ao centro os dizeres “Câmara Municipal da Marinha Grande”.


Ficando desta forma:



( foto retirada do site www.google.pt)



A simbologia inicial sofreu alterações ao longo dos anos, de acordo com as legislações vigentes nas respectivas épocas, bem como na altura de elevação a cidade em 11 de Março de 1988. A última transformação e actual definição, a 21 de Junho de 1996. Passando a simbologia a ser representada da seguinte forma:



( foto retirada do site www.google.pt)


Brasão - Escudo de vermelho com um pinheiro frutado de verde e troncado de negro, saínte de contra-chefe de dunas de areia, de ouro, acompanhado de duas vieiras do mesmo. Coroa mural de prata com cinco torres. Listel branco com a legenda a negro, em maiúsculas “MARINHA GRANDE”. Bandeira - Girondada de oito peças de amarelo e negro. Cordão e borlas de ouro. Haste e lança de ouro. Selo - Nos termos da Lei, com a legenda: “ Câmara Municipal da Marinha Grande”.




História da Marinha Grande


Origem do topónimo Marinha Grande



( foto retirada do site www.google.pt)




Crê-se que a Marinha Grande tenha sido fundada no séc. XI ou XII, já com o nome de Marinha, por um grupo de colonizadores recém – chegados para trabalhar na extracção do sal.No ano de 1590, como consequência da construção da primeira capela, passou a chamar-se Santa Maria da Marinha. No ano de 1600 passou a Freguesia e o nome mudou para Nossa Senhora do Rosário da Marinha. Até aí pertencia à Freguesia de S. Tiago do Arrabalde, de Leiria. O povo tinha de se deslocar a pé ou atravessar o rio Lis, em barcos, para fazer registos civis. Mais tarde, no ano de 1750, pela ordem do Ministro Marquês de Pombal passou a Marinha Grande.No ano de 1892 D. Carlos visita a povoação e concede o estatuto de Vila. Só mais tarde, em 1917, o concelho é restaurado, sendo composto pelas freguesias da Marinha Grande e Vieira de Leiria. Mais recentemente, em 11 de Março de 1988, Marinha Grande deixa de ser Vila e passa a ser Cidade e, em 2001, acolhe a freguesia da Moita do vizinho concelho de Alcobaça.Marinha Grande encontra-se no centro do Distrito de Leiria e em seu redor encontra-se uma enorme superfície de pinhal desenvolvido e explorado desde o séc. XV e, cuja madeira serviu para a construção das embarcações utilizadas nos Descobrimentos.Hoje em dia a cidade representa um claro exemplo de dinamismo industrial e tecnológico e a sua economia caracteriza-se pela diversidade e desenvolvimento, destacando o sector dos moldes, vidro, plásticos, o artesanato do vidro e também o sector turístico, que tem vindo a aumentar e a adquirir uma grande importância.



Evolução do ensino na Marinha Grande




( foto retirada do site http://www.google.pt/)


Por iniciativa do Ministro Marquês de Pombal, em 1769 cria-se a Real Fábrica de Vidros, a mais importante do país e, dessa maneira Marinha Grande transforma-se na Capital do Vidro. O seu êxito deveu-se também ao factor da localização, que se traduzia em combustível, isto é, a lenha do Pinhal de Leiria e as areias abundantes na zona. Já tinha existido uma outra fábrica de vidro cujo proprietário era o Irlandês John Beare que acabou por falir devido à pouca protecção dada pelo Estado.Em 1810 devido ao enorme desenvolvimento económico, era a povoação com maior índice populacional de todo o Distrito, o que levou à elevação a Concelho. Porém, dois anos mais tarde, devido às constantes reformas administrativas levadas a cabo pelo Governo de Lisboa, o concelho foi extinto e a Freguesia agregada ao Concelho de Leiria.Com o objectivo de combater as carências de formação a nível local, Guilherme Stephens fundou a sua escola no ano de 1769. Também pela sua mão, a instrução primária chegou à Marinha Grande em 1786, apesar do ensino oficial só chegar 50 anos depois em 1836 no reinado de D. Maria II, dando seguimento à sua preocupação em educar os marinhenses. Há registo nesta altura de vários estabelecimentos de ensino que vão do ensino primário ao liceal.Em 1920 foi criada a escola de Vidreiros que funcionava apenas com uma aula de desenho e, em 1925, o Eng.º Acácio de Calazans Duarte inaugurou a escola Industrial da Marinha Grande, a funcionar na Nacional Fábrica de Vidros com alguns cursos importantes para a evolução económica da fábrica, tais como: lapidário de vidraria, pintor de vidros, serralharia, costura e bordados. Em 1948 introduziu-se o ciclo preparatório, passando assim a existir outros cursos, tais como: serralharia, costura e bordados complementares, aprendizagem e comércio e, por esse motivo, passou a chamar-se a Escola Industrial e Comercial. Também foram introduzidos cursos de Formação Feminina, Formação Geral de Comércio e Aprendizagem de Electricidade.O primeiro estabelecimento de ensino dedicado à primeira infância foi inaugurado a 5 de Outubro de 1913 e só foi possível graça à doação feita em testamento pelo marinhense José Luís Pereira Crespo.



Saúde na Marinha Grande

( foto retirada do site www.google.pt)



Só depois da febre- amarela que apareceu na região em 1856 é que a Marinha Grande conheceu o seu primeiro médico. Em 1860 D. Pedro V concedeu um subsídio anual de 120 mil réis, podendo contar com a permanência de um médico na freguesia. Antes desta altura a população recorria a curandeiros.Em 1916 foi criado um posto da Cruz Vermelha e pode-se contar com a primeira parteira a partir de 1928. Em 1936 foi inaugurado um dispensário anti – tuberculoso e em 1966 foram inauguradas as novas instalações destinadas a estes doentes na altura uma das mais modernas e bem apetrechadas do país.



Comunicação social na Marinha Grande


As informações dadas àao povo da Marinha ficaram ao início ao encargo do” jornal Autonomia”, em 1889 tendo aparecido outros, dos quais a “ Tribuna da Marinha Grande” e o “ Jornal da Marinha Grande”, este último ainda hoje se mantém activo e continua a informar e a noticiar o que por cá se passa, se bem que nem sempre foi assim. Censurado pelo regime de António Oliveira Salazar, nada saía para as bancas sem antes passar pelas mãos dos Inspectores. A 17 de Novembro de 1986, na Pedrulheira, nasceu a Rádio Clube Marinhense, graças a uma cooperativa. Mais tarde a sede passou para o antigo posto de assistência nacional dos tuberculosos, na rua 25 de Abril.Transmitía diariamente entre as 10h da manhã e a 1h da noite na frequência de 96 MHz. Na actualidade continua na mesma frequência e mantém os marinhenses informados.



Revolução Vidreira


18 De Janeiro de 1934


( foto retirada do site www.pcp.pt)


Estávamos em 1934, com o início do ano entrou em vigor o novo estatuto nacional do trabalho,que era inspirado na "Carta Del Lavoro", de Mussolini, que significava que os sindicatos teriam de obedecer a certas e determinadas regras, tais como: qualquer sindicato estaria sujeito a aprovação prévia por parte do Governo, os que não se submetessem ou não correspondessem ao modelo exigido seriam encerrados; colaboração das classes sociais com vista à harmonia do capital e do trabalho, sobre o pretexto do interesse nacional, implicaria a proibição da greve e de todos os contactos com sindicatos internacionais; o Governo passaria a eleger as direcções dos sindicatos e automaticamente poderia também demiti-las, poderia ainda fiscalizar, intervir e orientar toda a actividade sindical através do recém criado Instituto Nacional do Trabalho e Previdência. Devido à insatisfação dos trabalhadores perante o cenário actual e perante as novas medidas impostas pelo governo no âmbito do trabalho, foi convocada com grande rapidez uma greve geral,o chamado " Soviete", secretamente preparava-se uma rebelião para o derrube da ditadura salazarista.
O 18 de Janeiro de 1934 é uma data histórica não só para a cidade da Marinha Grande como também para o país, foi um grito de revolta e o despoletar da luta contra a ditadura fascista de Salazar.
Após a instauração do Estado Novo e da publicação da nova Constituição, os trabalhadores viram-se privados do direito de se associarem por sua livre e espontânea vontade. Queriam defender o sindicalismo autónomo e derrubar o Estado Novo, a sua profissão tinha deixado de ser bem paga e segura.Lutaram contra a legislação que suprimia as liberdades sindicais.Foi um movimento revolucionário, uma tentativa de expressão sindical operária, contra a ditadura do Estado Novo de Salazar, que proíbia os sindicatos livres, mais uma das acções de repressão ao povo Português.O desemprego, a falta de liberdade de escolha e a exploração, provocou a revolta dos trabalhadores, os quais se sentiram na obrigação moral de fazer algo para acabar com esta situação. Apesar da revolta contra o governo não ter sido bem sucedida não se pode dizer que estes tenham fracassado totalmente pois este grito de descontentamento veio alertar consciências e despoletou um sentimento de revolta sobretudo nas mentalidades mais jovens que com este exemplo de luta e preserverança começaram a acreditar na mudança e também eles começaram a questionar, a discordar e sobretudo a lutar contra o regime fascista.Por tudo isto podemos afirmar peremptoriamente que o 18 de Janeiro de 1934 foi a primeira batalha de uma guerra que viria a ser ganha no dia 25 de Abril de 1974 aquando da queda da ditadura que governou o nosso país quase cinquenta anos.

( Sindicato vidreiro em 1934 foto retirada do site www.pcp.pt)


Para as organizações sindicais era impensável estarem dependentes do Estado e perderem a sua autonomia e liberdade, e terem ainda de colaborar com a entidade patronal, visto que as duas se encontravam em diferentes patamares, de um lado encontravam-se os exploradores, do outro lado os explorados, dois pontos imcompatíveis.
Esta situação acabou por unir várias federações , tais como: a Confederação Geral do Trabalho, a Federação Aútonoma Operária e a Comissão Intersindical, que no momento tinham algo em comum, a greve geral revolucionária.
A base ideológica deste movimento revolucionário baseava-se no idealismo Bolchevista.
Coube à classe operária da Marinha Grande, e em particular aos vidreiros, desempenhar um papel importante nesta luta contra o fascismo.



( foto retirada do site www.pcp.pt)


Nesse dia os operários lutaram sozinhos contra a opressão e sobretudo contra a exploração, o patronato usava como justificação para este acto a crise que se vivia no momento.
Na noite que antecedeu o 18 de Janeiro, um grupo de vidreiros armados invadiu a sede dos correios e o posto da G.N.R, distinguiam-se com uma braçadeira vermelha com a foice e o martelo. O ataque ao posto da G.N.R foi comandado por António Guerra que comandava 5 brigadas com 5 homens cada. Os policiais foram levados para as instalações da Real Fábrica de Vidros, e o seu administrador Engº Calazans Duarte que sempre manteve boas relações com os operários, recebeu os policiais, acordando com os operários que quando estes encontrassem uma solução, os levariam dali.Dias mais tarde o Engº foi preso e levado para interrogatório pela sua suposta participação na revolta, mas foi libertado ao fim de 2 dias, sem acusação.


Estação dos C.T.T. sob ocupação militar


( foto retirada do site www.pcp.pt)


Às 3 da manhã ouviu-se o sinal para que os outros vidreiros viessem para a rua e trouxessem todas as armas que estavam escondidas. Em vários pontos do país gerou-se greve, em Almada, Barreiro, Sines, que parou um dia e Silves que parou 3 dias, houve também alguns actos violentos contra infrastruturas e postos policiais, em Coimbra, Leiria e Vila Boim.
Ás 5 da manhã a Marinha Grande estava nas mãos dos operários vidreiros, que tinham conseguido barrar a estrada entre Marinha Grande e Leiria .Passadas algumas horas a cidade era bombardeada pela artilharia, por volta das 11 h da manhã a cidade era tomada pelos militares que fizeram buscas por toda a vila, de modo a encontrar dirigentes deste acto revolucionário. Fizeram-se dezenas de presos, o número destes ascendou as 131 pessoas; 49 foram libertadas um mês depois por falta de provas, 45 foram processados e condenados ao desterro com penas entre os 3 e os 14 anos de prisão, no Forte de São João Baptista, em Angra do Heroísmo, e ao pagamento de pesadas multas. Nesta conjuntura inicia-se assim um longo processo de luta contra o Estado Novo, contra a ditadura, a censura e o direito à liberdade.




A prisão de Angra do Heroísmo conhecida por " Cemitério Fascista do Oceano"


( foto retirada do site www.pcp.pt)


A luta era impossível, os operários estavam em desvantagem numérica e em desvantagem de armamento, chegou ainda a cavalaria, a infantaria, artilharia e até aviação, que terminou com a rendição dos operários. Muitos fugiram e mais tarde conseguiram partir para Espanha clandestinos. Os que foram presos foram levados para o Governo Civil de Leiria, para serem interrogados e torturados, ficaram nas mãos de militares que tinham estagiado na Alemanha Nazi, com a Gestapo, o que significa que puderam aplicar os seus conhecimentos nos nossos conterrâneos.

( foto retirada do site www.pcp.pt)


Perdemos a luta, mas com essa derrota que surgiram lições para melhorar, e a revolta dos trabalhadores vidreiros fica na história como um momento alto da resistência ao fascismo. Tratou-se de uma união de forças sindicais, politicas e ideológicas.A resposta de Salazar a este acontecimento, foi a criação do campo de concentração do Tarrafal, conhecido como o campo da morte lenta, destinado a presos politicos e considerados muito perigosos, houvera também alguns presos condenados a cumprir pena em Angra do Heroísmo. O estado novo era o regime responsável por milhares de vítimas, situações de tortura e expulsões do nosso país.



A curto prazo a revolução vidreira nada trouxe de novo à classe operária, mas a longo prazo houveram imensas modificações, desde o melhoramento das condições de trabalho, a carga horária, os salários e a certeza de que quando o povo se une por uma causa, consegue sempre algo.Embora a grave situação económica e social que a Marinha Grande viveu, nas 3 primeiras décadas do sec XX, dos períodos de falta de trabalho, fome e doença, houve sempre uma forte coligação entre o povo marinhense, em particular junto á classe operária, que foi determinante na consciencialização dos valores sociais em causa, e do surgimento de varias associações de classe operária.Os vidreiros podem ter perdido a batalha mas a longo prazo ganharam muito mais.


Campo do Tarrafal


Situava-se em Cabo Verde na Ilha de Santiago, foi inaugurado em 1936 e foi inspirado nos campos de concentração Nazi.A única diferença é que no Tarrafal não existiam câmaras de gás, mas os prisioneiros estava destinados a ter uma morte lenta, e foi esse motivo que deu o nome ao campo, “campo da morte lenta”.As barracas de lona serviam de celas e cada uma levava 12 presos, não existiam casas de banho, apenas baldes para fazer as necessidades, não havia água potável, estes factores contribuíram para grande parte das mortes no campo, como também os maus-tratos, as doenças sem tratamento e a má alimentação. 32 Portugueses tinham sido condenados, alguns não tiveram sequer direito a julgamento, enquanto outros já tinham acabado de cumprir as suas penas mas continuavam retidos no campo.Uma grande parte dos primeiros prisioneiros seria os participantes nas greves do 18 de Janeiro de 1934, e também os marinheiros de Setembro de 1936.No dia 26 de Janeiro de 1954 é encerrado o campo, mas voltaria a abrir em 1962, desta vez destinado aos patriotas do movimento de libertação das colónias portuguesas.Por esta altura, algumas agências de viagem orientam guias para fazerem visitas guiadas ao campo de concentração do Tarrafal, com o objectivo de não deixar esquecer aqueles que lutaram e que pagaram um preço demasiado alto em prol da liberdade.

"Campo da Morte Lenta" Tarrafal"

( foto retirada do site www.pcp.pt)


Mortos no tarrafal


Foram 37 os antifascistas portugueses assassinados no Tarrafal; os seus corpos só depois do 25 de Abril puderam voltar à pátria:Augusto Costa: Operário vidreiro (Marinha Grande - Tarrafal, 1901-22 de Setembro de 1937)Manuel Carvalho_________________ 22/02/1908-1932

António Guerra: Empregado de comércio, 35 anos (
Marinha Grande, 23 de Junho de 1913 - Tarrafal, 28 de Dezembro de 1948)

Francisco da Cruz________________ 1908-1936
Alvaro André___________________
José Domingos__________________
Adriano Neto Nobre______________



O 18 de Janeiro de 1934 é uma data mítica para a Marinha Grande.Ao longo dos tempos a população marinhense tem rejubilado com os feitos e com a coragem dos operários combatentes no na revolta.Todos os anos esta data é comemorada pelo sindicato dos trabalhadores da indústria vidreira, pelo partido comunista português e também por toda a população, a câmara municipal inaugurou um memorial ao 18 de Janeiro no cemitério para onde foram transladados os restos mortais dos participantes, de modo a relembrar a uns a luta de outros por um Portugal mais livre. A casa museu 18 de Janeiro, foi inaugurada a 18 de Janeiro de 2008, situa-se em Casal Galego. Existe também o monumento 18 de Janeiro, inaugurado em 1984 que está situado na praça do vidreiro, em lembrança á revolução armada e aos que nela participaram, é formado por dois blocos, um pedestal com um vidreiro armado e outros com varias esculturas esculpidas por trabalhadores do vidro.Só com o 25 de Abril se pôde falar abertamente sobre a revolta dos operários.Mais uma vez ficou provado que o povo quando se une, quando deixa as diferenças e preconceitos para traz, luta e consegue sempre obter algo, mesmo que não seja uma mudança significativa na hora, acaba por ser a longo prazo.


Bibliografia

Trabalho da cadeira de sociologia, inserido no plano de estudos do 1º ano de Psicologia Social das organizações, elaborado por Paula C. D. Santos
http://www.pcp.pt/

O Vidro e a sua origem



( foto retirada do site www.google.pt)

Alguns historiadores indicam que a descoberta do vidro se deu por volta de 3000 anos a.C., contudo outros afirmam que terá sido por volta de 5000 a.C.. Foi atribuído a Tebas (Egipto) o berço da indústria vidreira egípcia. De 1550 a.C. até à era Cristã, o Egipto era o país com mais importância na indústria do vidro. Foi a partir daqui que tudo saiu para os mercados do Mar Mediterrâneo. Esta indústria ficou a ser conhecida em Roma, onde foi aperfeiçoada a apresentação deste material através de pinturas, gravuras e a modelagem do vidro soprado. A partir daqui esta indústria expandiu-se aos países conquistados pelos romanos. Foi através de Constantino Magno que o Oriente passou a dominar este comércio, pois este levou consigo bons trabalhadores nesta área, os quais ficavam isentos de diferentes impostos, recebendo em troca outros benefícios, quer comerciais, quer sociais.Em 1289 todas as oficinas foram transferidas para Murano, uma pequena ilha de Veneza, para que os vidreiros estivessem mais protegidos, não podendo sair para o estrangeiro, também para preservar a cidade do perigo dos incêndios. No entanto, alguns trabalhadores conseguiram emigrar para a Alemanha desenvolvendo nesse país esta indústria e aos poucos pelo mundo.




Em Portugal


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Só no século XVIII se estabeleceu em Portugal a indústria vidreira, mais propriamente na Marinha Grande, a qual ainda hoje permanece nesta cidade. Anteriormente, há notícia, desde o século XV, da existência de alguns produtores artesanais de vidro. É conhecido o labor do vidreiro Guilherme, que trabalhou no Mosteiro da Batalha, o vidro era obtido através da incineração de produtos naturais com carbonato de sódio (erva - maçaroca). Houve diversos fornos para a produção vidreira em Portugal, mas a passagem de uma produção artesanal, muito limitada, para a produção industrial foi lenta. No reinado de D.João V uma fábrica existente em Coina veio a ser transferida para a Marinha Grande, em consequência da falta de combustível. A proximidade do Pinhal de Leiria teria aconselhado a transferência da antiga Real Fábrica de Coina. Depois, o Marquês de Pombal concedeu um subsídio para o reapetrechamento desta fábrica vidreira na Marinha Grande.Em 1748 estabeleceu-se na Marinha Grande John Beare dedicando-se ali à indústria vidreira. A abundância de matérias primas de carburante aconselhavam o desenvolvimento dessa indústria naquela região. Em 1769 o inglês Guilherme Stephens beneficiou da importante protecção do Marquês de Pombal e estabeleceu-se na mesma localidade: subsídios, aproveitamento gratuito das lenhas do pinhal do Rei, isenções, etc. A Real Fábrica de Vidros da Marinha Grande desenvolveu-se a ponto de ser Portugal, a seguir à Inglaterra, o primeiro país a fabricar o cristal.



Moldes

( foto retirada do site www.google.pt)


A indústria de Moldes para matérias plásticas teve o seu início em 1943, na Marinha Grande, numa pequena empresa de moldes para vidro, por iniciativa de Aníbal H. Abrantes. Dois anos mais tarde, Abrantes produziu o primeiro molde de injecção para plástico.

Começaram a estabelecer-se outras empresas produtoras de moldes para plásticos, na cidade da Marinha Grande e em Oliveira de Azeméis, que é outro centro tradicional da indústria moldes. A indústria desenvolveu-se com a importação de tecnologia estrangeira e, em 1955, iniciou-se a exportação com a venda dos primeiros moldes à Grã-Bretanha. Por volta de 1980, a indústria já exportava para mais de 50 países, e só na área da Marinha Grande existiam 54 empresas em laboração, originando imensos postos de trabalho, 2000 precisamente. Actualmente, o sector de moldes em Portugal possui cerca de 250 empresas com a dimensão típica de PME's (Pequenas e Médias Empresas), situadas na sua maioria na Marinha Grande e em Oliveira de Azeméis, empregando cerca de 7500 pessoas. Actualmente, as empresas portuguesas de moldes encontram-se na vanguarda da utilização de máquinas-ferramentas de precisão inovadoras, e a evolução tecnologia também já atingiu este sector, são controladas informaticamente, sendo vulgar a utilização de sistemas CAD/CAM/CAE na concepção e fabrico de moldes. Conceitos como Engenharia Simultânea ou Concorrente, que permite a obtenção de maior competitividade no desenvolvimento de produtos através da redução do tempo e Qualidade Total, que é uma técnica de administração multidisciplinar formada por um conjunto de programas , ferramentas e métodos, aplicados no controlo do processo de produção de modo a obter bens e serviços por menos custo e melhor qualidade, são conceitos que se começam a difundir em algumas empresas do sector.



63% em 190 empresas da Marinha Grande tem uma média de 26 empregados por empresa.29% em 86 empresas em Oliveira de Azeméis tem uma média de 17 empregados por empresa.8% Disperso principalmente por, Leiria mas também por Alcobaça, Aveiro, Porto e Lisboa.O Pessoal ao Serviço na actividade de moldes pesava, sensivelmente, face ao nº de trabalhadores existentes em Portugal:2,4% no total do emprego na região centro, Marinha Grande0,3% no total do emprego da região norte, Oliveira de Azeméis.



( foto retirada do site www.google.pt)



Evolução tecnológica dos moldes

A indústria de moldes na Marinha Grande tem sido marcada pelo pioneirismo, quer na introdução de novas tecnologias, quer de novos processos e formas de actuar nos mercados e na produção industrial. Ao longo dos últimos cinquenta anos esta indústria tem sido uma porta de entrada de muitas tecnologias e ao longo deste período, o sector conheceu grandes alterações, sendo que o seu sucesso sustentável é testemunho da sua capacidade inovadora.Em Janeiro de 1983 realizou-se na Marinha Grande o I congresso da indústria dos moldes. Nessa altura já tinha mais de 25 anos de existência. Nos finais dos anos 70 a indústria dos moldes começava a ter alguma relevância a nível nacional como um oásis de tecnologia sofisticada e exportador de produtos (moldes) de elevada qualidade técnica.A firma Aires Roque e Irmão, era na altura o mais importante produtor de moldes para vídeo, com operações na Marinha Grande e em Oliveira de Azeméis. Um dos seus primeiros clientes de moldes (por compressão), foi Nobre e Silva, empresa pioneira do sector em Portugal, com uma fábrica na zona de Leiria.Mas seria um seu meio irmão Aníbal Henriques Abrantes, que daria prioridade ao negócio dos moldes para peças plásticas, depois de adquirir a cota de Aires Roque na sociedade, em 1946.As tecnologias mecânicas então usadas eram as dos moldes para vidro, limadores, tornos e engenhos de furar.A aprendizagem dos processos de fabrico era feita de modo informal e os conhecimentos para o fabrico dos moldes para plásticos foram sendo construídos por tentativas.Nessa atura o trabalho de bancada era especialmente importante. O rigor era ainda incipiente. A qualidade da peça plástica dependia da sensibilidade técnica e da habilidade do acabamento.Em muitos aspectos era uma “arte”, cujos conhecimentos adquiridos por “ aprender-ouvindo”, e por “ aprender-fazendo” foram sendo dizimados e desenvolvidos por sucessivos aprendizes e seguidores, numa lógica que ainda hoje caracteriza o sector.Em menos de 15 anos assinalaram - se 21 empresas, 13 das quais em Leiria e Marinha Grande. Mais de metade dessas empresas derivavam directamente das duas empresas matrizes, sediadas na Marinha Grande.Nos primeiros anos de indústria não havia propriamente projecto, nem desenhos detalhados como suporte nem registo do projecto ou especificação da peça ou molde. Quando muito, havia um esboço em papel do que seria o molde e a peça a moldar.Os detalhes do molde era muitas vezes construídos com a peça modelo à vista. No final da produção do molde, nem sempre se podia dizer que correspondia a rigor com o projecto original.Os detalhes da peça a moldar eram muitas vezes modificados à medida que a cavidade e a bucha do molde eram esculpidos no metal. Os desenhos, quando existiam, eram feitos em papel ou cenário, que não permitia a obtenção de provas.Foram precisos alguns anos até que o desenho ou projecto de moldes, se torna-se central, como uma ferramenta imprescindível de especificação de produto e de registo dos desenvolvimentos adquiridos com a progressiva experiência. O desenho viria a tornar-se a peça central do fabrico.


Aplicações dos moldes

( foto retirada do site www.google.pt)


Os moldes são necessários para imensas peças que usamos no nosso dia-a-dia.Seja em peças de automóvel (rádio, volantes, manivelas de vidros, porta-luvas…) brinquedos (comboios, carrinhos, bicicletas, patins…) em electrodomésticos (frigoríficos, fogões, micro-ondas, torradeiras, aquecedores….) electrónica (computadores, telemóveis, playstations…) e até moldes para fundição de jóias.A produção de moldes para plásticos e borracha tem diminuído, mas em compensação a produção de moldes para metais tem subido bastante, o que significa que a produção de moldes para brinquedos, electrónica , telecomunicações, electrodomésticos, utilidades domésticas e material eléctrico, tem sido muito pouca, mas a industria automóvel tem crescido imenso.Concluiu-se que esta descida de produção nacional deve-se ao facto de países como o México, China, Malásia, Taiwan e Coreia do Sul terem iniciado também a exportação, a China é o país que exporta mais moldes para material eléctrico e electrónico.Existem vários tipos de moldes:placas de fundos para moldes,moldes para metais,moldes para vidro ,moldes para matérias minerais e moldes para borracha ou plástico.

Nos moldes para plásticos podem-se fazer tampas para água e as suas garrafas, que são feitas através de um molde de sopro, caixas de dvd´s e cd´s, rádios de carros, teclados de telefones, ar- condicionado, cadeiras e peças para automóveis.

Vantagens do processo de injecção:

Peças que podem ser produzidas com altas taxas de produtividade; produção de peças com grandes volumes; custo de mão-de-obra relativamente baixo; peças que requerem pouco ou nenhum acabamento. As peças podem ser moldadas com insertos metálicos.Desvantagens:Competição acirrada que oferece baixa margem de lucro; Moldes que possuem preço elevado em comparação a outros processos; Falta de conhecimento nos fundamentos do processo causa problemas.


Vantagens do processo de rotomoldagem:

Espessura uniforme do produto,custo da ferramenta consideravelmente inferior comparados a outros processos, optimiza geometria do produto;produção de pequenos lotes, com preços competitivos;produção de peças técnicas.
Produção de peças com 3mm a 30mm. Peças sem tensões ou emendas;transformar conjuntos de componentes em peças únicas;reduz custos do produto final.Desvantagens:Processo muito longo.Vantagens do processo de sopro: Baixo custo do material;alta durabilidade da ferramenta;bom acabamento superficial,boa precisão dimensional;Desvantagens:Alto custo do maquinário;mão de obra qualificada,necessidade de rebarbação,brilho insuficiente ou inaceitável,produtos com pouca resistência e esforço mecânico e resistência térmica.




( foto retirada do site www.google.pt)

Monumentos da Cidade da Marinha Grande



Estas fotos irão levar-nos a um pequeno recanto do Pinhal de Leiria, junto à praia de S. Pedro de Moel, onde por acção dos agressivos ventos marítimos, os pinheiros rastejam e se enrolam, como serpentes… de pinho.Esses pinheiros, pioneiros do litoral, formão os “batalhões”, são a guarda avançada. A sua missão consiste na segurança das areias e poderão vir a dar lenhas, resinas, peças para carroçarias, mas nunca se deverão abater senão em pequenas parcelas, em cortes à Masson (cortes rasos em pequenas superfícies, máximo um hectare).



( foto retirada do site www.google.pt)

Farol de São Pedro



( foto retirada do site www.google.pt)



Imponente e belo, vista sobre o Oceano o Farol de São Pedro, também conhecido como o Farol do Penedo da Saudade, é um farol marítimo situado no litoral da população de São Pedro de Moel. Conta a lenda que a Duquesa de Caminha, após a dramática decapitação do seu jovem marido, ia carpir a sua falta de sorte sentada numa pedra grande que viria a chamar-se, por isso mesmo, o Penedo da Saudade.Iniciou-se a sua construção no ano de 1909 e foi inaugurado no ano de 1912. Tem uma altura máxima de 55 metros, desde o nível do mar até ao topo da sua torre. Possui uma escada interior em caracol com 135 degraus de pedra. Actualmente segue em funcionamento e sua luz produzida por dois potentes focos e por lâmpadas de 3.000W, tem um alcance de aproximadamente 41 milhas.Embora a Marinha Grande não seja uma terra rica em monumentos, não deixou de inovar na pedra ou no bronze alguns dos acontecimentos mais importantes da vida.Assim como recordar algumas figuras importantes que contribuíram para o seu engrandecimento.



Monumento aos Mortos da Grande Guerra

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Situado na Av. D. Dinis, foi inaugurado em 9 de Abril de 1935 para homenagear os combatentes portugueses mortos durante a I Guerra Mundial (1914-1918), o projecto foi da autoria de Alberto Nery Capucho, embora simples e modesto encheu de orgulho os marinhenses.À inauguração, estiveram presentes cinquenta e quatro antigos combatentes do Concelho, muito povo e as autoridades civis e militares.



Monumento a Bernardino Barros Gomes

Foi um levantado um monumento na entrada principal da Mata, em Pedreanes, em memória de um dos maiores silvicultores portugueses.A sua construção foi iniciada em 1917 mas só a 30 de Setembro de 1939 foi inaugurado. A simplicidade do monumento significa o trabalho, o carinho e o amor pela causa florestal que o silvicultor levou em vida.Desconhece-se o autor do projecto nesse mesmo dia foi plantado junto ao monumento um Pinus Pinea fragilis já com 3 anos de idade, que hoje ensombra todo o monumento.

Monumento Cruzeiro da Independência


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Em 1 de Setembro de 1940 foi erguida no adro da igreja matriz, por iniciativa do pároco, Padre Higino L. Duarte, um elegante monumento em mármore polido ostentando a Cruz de Cristo, as cinco quinas e escudo da Marinha Grande, não quis a Marinha Grande deixar passar despercebida a data de 1940, em que por todo o Portugal se comemoravam os oito séculos de fundação e independência.

Monumento a Guilherme Stephens

Este monumento situa-se na velha praça em frente da Fábrica que ele mesmo fundou em 1769, foi inaugurado em 24 de Agosto de 1941.O pedestal que suporta o busto de Stephens em bronze tem numa das faces uma dedicatória:” A Guilherme Stephens – o pessoal da Nacional Fábrica de Vidros – 1941” foi construído por iniciativa do director da fábrica.Este monumento foi pago por todos os empregados e operários, este foi entregue aos cuidados da Câmara Municipal da Marinha Grande.

Monumento ao 18 de Janeiro 1934



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Este monumento foi colocado na Praceta do Vidreiro e por iniciativa do sindicato Vidreiro pois a eles lembra o sofrimento, a miséria e a fome que este povo trabalhador passou.É composto por dois blocos de pedra: um, servindo de pedestal ao operário vidreiro armado, e com uma legenda: “ Homenagem ao Movimento Operário do 18 de Janeiro”; o outro tem esculpido em baixo-relevo figuras trabalhando o vidro. Foi esculpido pelo escultor marinhense Joaquim Correia.



Monumento aos Heróis do Ultramar

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Hoje chamado Mártires do Colonialismo que está no interior desse do parque com o mesmo nome do monumento. Tem um grande significado pois recordará para sempre à Marinha Grande os jovens filhos que perdeu na guerra do Ultramar.O monumento foi da autoria do escultor Joaquim Correia e foi inaugurado no dia 5 de Junho de 1965.Na frente tem figuras dormindo o sono eterno, com uma legenda “ O concelho da Marinha Grande honra os seus heróis”, também com dizeres de Fernando Pessoa: “ Não dormes sob os ciprestes, pois não há sono no mundo”.



Personalidades da Marinha Grande


Eng.º Acácio Calazans Duarte

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No dia 15 de Fevereiro de 1889 nasceu em Aljezur, filho de José Calazans da Silva Duarte e de Luísa Calazans Duarte. Era casado com D. Alice Vaz Cintra de Calazans Duarte e pai do Eng.º José Manuel Vaz Cintra de Calazans Duarte. Licenciado em Engenharia doutorou-se em Ciências Físico-Químicas. O Dr. Acácio Calazans Duarte, conseguiu um pouco de tempo para restabelecer a ordem e a disciplina e começar uma obra digna do maior apreço. Recuperou a fábrica e influenciou decisivamente a vida local durante cerca de meio século. Foi sob a sua administração que a Nacional Fabrica de Vidros passou a denominar-se Fabrica Escola Irmãos Stephens. Criou uma escola nas instalações da fábrica, para acabar com o analfabetismo, estabeleceu pensões de reforma e subsídios de doença e assegurou assistência médica. A 2.8.1959, foi homenageado, no Teatro Stephens. No dia 1.6.1989, aceita a aposta de Concelho Directivo da Escola nº1 da Marinha Grande, que indica o Engenheiro Calazans Duarte como o Patrono desta instituição de ensino. No dia 12.6.1992, realizou-se a sessão solene de baptismo daquele estabelecimento de ensino com o nome: Escola Secundaria Eng.º Acácio Calazans Duarte. Em 1992 a fábrica fechou. Ainda hoje é lembrado pela maioria da população Marinhense como administrador, mas muito mais com o grande humanista que assinalou e reavivou o lego Stephens, homenageando-o, a Câmara Municipal de Marinha Grande, na sua reunião de 27.4.1965, onde deliberou dar o seu nome à praceta onde residia – Praceta Calazans Duarte, cujo a placa toponímica foi descerrada a 18.12.1965. Faleceu na Marinha Grande em 31.5.1970, onde está sepultado.



Dr. Afonso Lopes Vieira



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Filho de Dr. Afonso Lopes Xavier Lopes Vieira e de D. Mariana de Azevedo Lopes Viera, casado com D. Helena de Aboim Lopes Vieira e natural de Leiria onde nasceu a 26.1.1878. No ano de 1944 foi um dos fundadores da sociedade “Os Amigos de S. Pedro de Moel”, cujo objectivo era a promoção e a implementação de determinados serviços, considerados prioritários. Faleceu em 25.1.1946, na sua residência sitio no Largo da Rosa, em Lisboa. Em 1949, a Colónia Balnear Afonso Lopes Vieira inicia o seu funcionamento, dando férias agradáveis a dezenas de crianças marinhenses. Como sinal de reconhecimento, a 12.8.1961, a Câmara Municipal da Marinha Grande colocou o seu busto na Praça Municipal de São Pedro de Moel, ficando a chamar-se Praça Afonso Lopes Vieira.

Encantado jardim da minha infância,
Aonde a minha alma aprendeu
A música do longe e o ritmo da distância,
Que a tua voz marítima lhe deu…

Afonso Lopes Vieira


Aníbal Henriques Abrantes
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Nasceu a 28.4.1908, na freguesia de São Sebastião da Pedreira, em Lisboa. Filho de Augusto Dinis Abrantes e de Maria Piedade Roque Abrantes, foi casado com D. Ernestina da Conceição Silva Abrantes. Desde muito cedo exerceu a profissão torneiro mecânico, primeiro em a Lisboa, numa fábrica de moldes para a indústria vidreira, sobretudo para a Fábrica Escola Irmãos Stephens. Em 1924, seu irmão Aires Roque, serralheiro na Fábrica Escola, propôs ao Eng.º Acácio Calazans Duarte a construção de moldes de vidro, que até essa altura vinham do estrangeiro, acabando por criar em 1925 uma pequena oficina na vila. Dois anos depois, em 1927, Aníbal H. Abrantes veio para a Marinha Grande para trabalhar com o seu irmão e constituiu a firma – “Aires Roque e Irmão, Lda.”. Até meados dos anos 30 só fabricava moldes para vidro. Em 1933, Aníbal H. Abrantes comprou a oficina de moldes para o vidro a seu irmão e no ano de 1937, começou a fabricar moldes para artigos de baquelite. Em 1943, Aníbal H. Abrantes, acreditando, no futuro dos novos materiais, adquire a quota deste na oficina onde continuava a fazer moldes. Em 1946 alargou a sua indústria e iniciou a exportação de moldes, para plástico para a Grã – Bertanha. Durante 7 anos a sua empresa foi a única no pais a fazer este tipo de moldes. Depois de Inglaterra, para onde se exportou o primeiro molde – uma boneca, – entrou no mercado Americano que a partir de 1956, encomendou moldes nesta firma. Posteriormente passou a exportar para praticamente todo o mundo. Em 19.9.1953, inaugurou uma nova fabrica em Casal de Malta, pôs o nome de ”Universidade dos Moldes”. Esta empresa foi conhecida, ao longo dos anos, como uma “Escola” onde se formaram operários e técnicos. Em 1978 foi lhe atribuído o prémio “Mercunio de Ouro” de 1970. Em Maio 1971, no âmbito da primeira semana da indústria de moldes para a indústria de plásticos, organizada pala CEFAMOLDE, foi-lhe prestada homenagem pública. Em 1983,A. H. Abrantes foi homenageado com a medalha de mérito industrial pela sua obra realizada. Para a Marinha Grande, a figura A. H. Abrantes tem uma importância em nada inferior à dos Irmãos Stephens e o tempo só ajudara a aumentar a sua dimensão de marinhense ilustre, de cidadão exemplar, “de industrial inovador e corajoso”. Faleceu em Leiria, 27.4.1995.



Guilherme Stephens ( foto retirada do site www.google.pt)



Guilherme Stephens, (? - 1802) – O inglês William Stephens foi um dos industriais estrangeiros que permaneceram sob a política de fomento deste ramo económico do Marques de Pombal. Stephens tinha na altura da catástrofe fornos de cal em Alcântara, nos quais se fazia a calcinação de pedra calcária para assim obter cal. Chegado também a utilizar para esse efeito um carvão, de pedra, inglês com o nome “culm”. Entre 1722 e 1727 foi construída uma fábrica de vidro nas margens do rio Tejo, em Coina, próximo dos famosos fornos de biscouto do vale do Zebro. Chamou técnicos estrangeiros, aumentou as instalações, expandiu os terrenos em torno da unidade fabril e foi o grande impulsionador do desenvolvimento da Marinha Grande. A ele se deve a canalização de água que foi da Amieirinha até à Fábrica, a construção da Escolha do Guilherme, por onde seguia o vidro, a caminho da Batalha e a arborização da charneca do Casal da Lebre. Depois de ter trabalhado na fábrica durante 37 anos, regressou a Londres, para cuidar da sua saúde e veio a falecer nesta cidade em 1804. Em 24.8.1941, os operários da fábrica fizeram-lhe uma homenagem, com a inauguração do seu busto construído pelo escultor leiriense Luís Fernandes.


Dr. José Henriques Vareda

Em 1927, nasceu na Marinha Grande o Dr. José Henriques Vareda. Em 1941/1942,foi considerado o melhor aluno do curso por demonstrar ser tão inteligente. Concluiu os cursos de Vidraria na Escola Técnica a Marinha Grande, e Elementar e Comércio na Escola Comercial de Leiria. O seu primeiro emprego foi num escritório fabril, passando depois para empregado comercial. Aos 20 anos recomeçou novamente os estudos e licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, em 1954.Nesta altura era Guarda-Livros numa fábrica de vidros. Posteriormente viria a exercer a função de advogado. Foi também Delegado à Assembleia Distrital da Ordem dos Advogados e exercitou o cargo de Vereador da Câmara Municipal da Marinha Grande, entre 15/01/1977 e 03/01/1978. Construiu a Casa da Cultura e o Sport Operário Marinhense. Fundou o jornal semanário (O CORREIO) do qual foi director até falecer em 16 de Março de 1989.

Manuel Pereira Roldão


Nasceu na Marinha Grande, a 11/02/1883,faleceu a 06/11/1940. Filho de José Pereira Roldão e de D. Maria do Rosário e era casado com D. Cândida Marquês Roldão. Foi uma pessoa importante na arte vidreira, destacando-se como oficial de cristal do mais fino. Para além de ser um artista de grande mérito, foi também um trabalhador incansável, tanto à boca do forno, onde era mestre consumado, como na pequena oficina, onde fabricava ampolas, Fundou a fábrica – Manuel Pereira Roldão. Um exemplo de trabalho e honradez. Vencedor da Comissão Administrativa da Junta de Freguesia da Marinha Grande, para a qual foi eleito em 04/04/1932. Era pai de Manuel Marques Roldão, Hermenegildo Marques Roldão, José Marques Roldão e Adriano Roldão.

Vítor Manuel Amaro Santos Gallo


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Nasceu no dia 19 de Abril de 1910 e faleceu, num desastre de aviação, em 30 de Maio de 1961.Foi deputado e presidente da Câmara Municipal da Marinha Grande durante dez anos. Foi também presidente do Grémio Nacional da Indústria Vidreira e da Corporação da Indústria. Foi provedor da Santa Casa da Misericórdia da Marinha Grande. Foi uma pessoa muito inteligente e dinâmica, foi administrador do Ricardo Gallo e da Covina. Foi Também Vice-presidente WCIDT. Foi galardoado com a ordem Militar de Cristo. Victor Gallo foi um Homem que ajudou muitas pessoas, independentemente das convicções políticas.


Manuel Eugénio Neto

Natural dos Marrazes, freguesia do concelho de Leiria, mais conhecido por Manel dos Chupas, nasceu em 1913. Só anos mais tarde, e já pai de 8 filhos, é que veio viver para a Marinha Grande. O povo habitou-se a esta Figura típica da Marinha Grande onde o via na praça Stephens. Nesse tempo ele deslocava-se a pé, segurando nas mãos um grande cone cheio de chupa-chupas embrulhados em papel celofane, os conhecidos “pirétes”, que na altura custavam 5 tostões cada um. Aprendeu esta arte com o seu pai, com o qual aprendeu o modo de confeccionar guloseimas e também o modo de as comercializar. Aos 14 anos já vendia sozinho a sua própria mercadoria. No Inverno vendia castanhas, também na praça Stephens, junto aos engraxadores. No Verão vendia chupas e gelados. O Sr. Zé tinha como especialidade os barquilhos, uma espécie de cones dentro uns dos outros. Transportava-os às costas, dentro de uma caixa de alumínio cilíndrica, cuja tampa era de alumínio. Existia uma particularidade engraçada, o cliente rodava a tampa e dependendo do número em que a agulha parava, seria esse o número de chupas a que tinha direito. Com a evolução dos concorrentes, o Sr. Manuel teve que acompanhar o avanço que se verificava naquela altura, a nível comercial, então comprou de imediato uma motorizada, atrelou-lhe uma caixa para levar os seus produtos expandiu a sua área de venda, passando a visitar as principais escolas da Marinha Grande, no período dos intervalos. Era uma situação digna de fotografia, as filas que os alunos criavam eram enormes, todos queriam levar uns quantos cones ou bolachas americanas do “Ti Manel dos Chupas”. No Verão mais uma vez alargava a sua área de venda, e ia até São Pedro de Moel vender as bolachas americanas e percorria todo o areal sempre a cantar “ chorem, meninos chorem! Quem não chora não mama! Chorem, meninos, chorem, cá mamã dá!” Faleceu em Março de 1999, mas a profissão de família não se extinguiu, o filho mais velho, posteriormente, os netos do Ti Manel dos Chupas continuaram o negócio de família, e sempre lhes foi ensinado o segredo da fabricação da bolacha americana. O Ti Manel dos Chupas marcou uma grande parte da população marinhense, que se lembra daquele Sr. tão simpático sempre vestido de branco e todos os dias com um sorriso na cara. Parecia que não havia nada que o atingisse, ou melhor, haveria com certeza, mas ele gostava tanto da profissão que tinha, dedicava-se a ela com tanto amor e carinho. Um ser humano humilde, solidário, mas também um óptimo doceiro. Nunca mais houve nesta cidade ninguém que fizesse e comercializa-se chupa-chupas tão bons e tão originais.


Brigadeiro Álvaro Mário Couceiro Neto


Nascido na Marinha Grande, foi o primeiro-oficial general do Exercito, nasceu a 26 de Dezembro de 1904, no Largo do Luzeirão. Era um homem inteligente, dinâmico, trabalhador e organizado. Iniciou os estudos no liceu em Leiria onde se destacou dos outros colegas por ser tanto bom estudante, como desportista, principalmente no futebol e na ginástica. Foi co-fundador do Atlético Clube Marinhense em 1923. Em 1922 entrou para o Instituto Superior Técnico, foi para a escola do exército, onde concluiu o curso em 1929 com uma nota exemplar, e formou-se em ginástica e desportos. Ficou conhecido pela competência e aprumo militar, sempre tolerante e amigo dos seus subordinados, nunca esquecendo a disciplina. Em 1941 esteve com a companhia de acompanhamento nos Açores e em 1955 foi para Angola, onde assumiu o comando da região militar de Sá da Bandeira e, em 1956, em Nova Lisboa. Quando regressou a Portugal em 1959 foi colocado no Instituto de Altos Estudos Militares. Em 1961 foi promovido a brigadeiro e ficou no comando da Escola Prática de Infantaria em Mafra. Recebeu vários louvores e condecorações, tais como: Grau de Grande Oficial da Ordem Militar de Avis, Medalha de Honra de Comportamento Exemplar, Medalha de Mérito Militar de primeira classe, Medalha de Serviços Distintos do Ministério do Exército. A 2 de Dezembro de 1966 passou à reserva e voltou à terra natal, onde continuou a sua actividade de professor de Ginástica e Natação.


José Ferreira Custodio Júnior

No dia 15 de Janeiro de 1855 nasceu na Marinha Grande, onde viria também a falecer, em 18 de Abril de 1919. Ainda novo seguiu o exemplo do pai que era construtor de fábricas. Assim em 1890 inaugurou uma fábrica de sulfato carbonato de soda. Em 1894, em conjunto com alguns sócios fundou a fábrica central. José Custodio Júnior considera-se um dos mais ilustres da Marinha Grande, sempre lutou com muita garra pelo seu desenvolvimento e defesa. Em 1899 fundou o primeiro jornal marinhense,”Autonomia” do qual era também director. Serviu para lutar pela independência da Marinha Grande, nesse jornal também defendeu a criação de uma escola de desenho e de um hospital. Foi co-fundador da sociedade filomática e da sua caixa económica. Ensinou em cursos nocturnos gratuitamente e foi lhe oferecida a comenda de mérito industrial, a qual recusou a favor de outro industrial. Existe na Marinha Grande uma rua com o seu nome. Um Homem bondoso, sem ambição, nunca desejou ser reconhecido pelo o que fez nesta terra, bastava-lhe apenas ver as pessoas felizes.a


D.Dinis

Filho de D. Afonso III e de D.Beatriz de Castela, nasceu no dia 9 de Outubro de 1261 em Santarém e tornou-se rei em 16 de Fevereiro de 1279 e reinou durante 46 anos. Casou com D. Isabel de Aragão em 1288 e devido à sua bondade ficou com o cognome de “Santa”. D. Dinis faleceu a 7 de Janeiro de 1325 em Lisboa e está sepultado no Mosteiro de S. Dinis, em Odivelas. Era essencialmente um rei administrador e não guerreiro, mas os últimos anos da sua vida foram conturbados, tendo mesmo lutado contra o seu filho D. Afonso IV, por este recear não chegar ao trono pois D. Dinis beneficiava o seu filho bastardo D. Afonso Sanches. Do seu reinado sobressai o seu impulso na cultura nacional. Tudo leva a crer que tenha sido o primeiro rei português não analfabeto, apreciava literatura, foi um poeta e trovador, havendo ainda hoje cantigas da sua autoria, encontradas na Torre do Tombo. Fundou a Universidade de Coimbra e foi a partir do seu reinado que todos os documentos passaram a ser escritos em português, antes era tudo em Latim. Devolveu a agricultura, dando terras para cultivar a quem não as tinha (mas apenas se as trabalhassem), o comércio, as pescas e a construção naval. Na Marinha Grande impulsionou o desenvolvimento do pinhal de Leiria, a primeira base económica marinhense. Ordenou que fosse feita a plantação de forma a proteger as terras agrícolas de avanço das areias costeiras. Recebeu o cognome de “O Lavrador” ou o “Rei Agricultor” pelo impulso que deu a essa actividade. O pinhal servia para a exportação e construção naval que servia interesses comerciais e marítimos do reino. Havia a preocupação de após o corte de árvores haver uma replantação imediata. Na época dos Descobrimentos Marítimos, a madeira do pinhal de Leiria era utilizada nas embarcações. Nos dias de hoje o pinhal contém uma variada flora e é um local de lazer, que permite muitas actividades ligadas à Natureza.

António Guerra

António Guerra, de seu verdadeiro nome António Batista, foi um dos homens que participou no movimento revolucionário do 18 de Janeiro de 1934. Nasceu a 23 de Junho de 1913. O cadastro de António Guerra foi elaborado pela “PVDE”Policia de Vigilância e Defesa do Estado que em 1945 se passou a chamar” PIDE”foi preso em 1934. Nos finais dos anos 20, António já tinha aderido às chamadas ideias avançadas ou comunistas. Sempre admirou e foi influenciado por Armando Correia de Magalhães, um político e sindicalista notável na defesa do operariado e dos oprimidos. Sempre foi um grande orador, deve-se-lhe a iniciativa da fusão das diversas Associações de classe num só sindicato. António Guerra era apaixonado pela leitura dos humanistas, homem de uma notável cultura que o tornou muito respeitado pelos seus conterrâneos. Cedo se começou a revoltar e a lutar contra o regime e as tensões sociais. As atitudes de revolta perante as injustiças levaram-no a envolver-se em algumas lutas, juntamente com o operariado, razão pela qual foi despedido do Ricardo Gallo. Solidário e com uma personagem forte, a sua influência junto da classe operária ajudou na criação do SNTIV, onde desenvolveu uma notável actividade, nomeadamente de índole cultural, chegou até a dar aulas nocturnas de alfabetização a adultos, num período em que esteve desempregado. Alguns dos seus alunos ainda hoje recordam a solidariedade de António Guerra, quando levava broa para a aula e repartia por todos para enganar a fome. Em 1932assumiu o funcionamento do Comité da Região do Oeste, a célula clandestina dos Comunistas. Em Setembro desse ano juntamente com um amigo fugiu para Espanha, juntando-se ao exilados de Pontevedra. Ao voltar em 1933, estava referenciado pela polícia pela sua acção na organização da greve dos Roldões em 1932, e nas reivindicações dos operários da fábrica Marques de Pombal em Setembro de 33. A PIDE rondava a sua casa com regularidade. Sua mãe pedia-lhe imensas vezes para largar a vida politica, mas o destino dele estava traçado. Acabou por ser preso, levado para Tarrafal, por participar no 18 Janeiro e lá acabou por falecer.

Tradições da Marinha Grande

Quinta-Feira da Ascensão


Tradição religiosa da Marinha Grande, que a Câmara Municipal deliberou mais tarde, (desde 1975) que o dia passasse a ser Feriado Municipal. Passando a designar-se por Dia da Espiga. No passado, as pessoas da Marinha Grande, em especial as pessoas do campo, por serem muito religiosas guardavam um grande respeito por este dia. Conta a lenda que uma mulher acendeu o forno nesse dia e cozeu o pão, que aparentemente ficou muito bonito e bem cozido. Quando foi servido, todas as fatias do dito pão estavam raiadas de sangue. Nestes tempos ninguém se atrevia a trabalhar nos campos. De véspera todas as pessoas faziam o pão e as refeições do dia seguinte, para que deste modo no Dia da Espiga, apenas se alimentasse os animais, pois caso contrário Deus castigaria quem assim não procedesse. Embora esse dia fosse respeitado pelo povo, com o passar do tempo deixou-se cair este recolhimento religioso e passou a ser um dia normal do calendário. Após a Igreja ter tomado esta posição, esta tradição manteve-se, pois continuou a ser comemorado pelos próprios vidreiros, que juntamente com as respectivas famílias iam neste dia a pé, de bicicleta ou de carroça de burro, com as suas mantas e suas merendas, deslocavam-se para a Mata, mais precisamente para o Tremelgo, onde passavam um dia de são convívio com familiares e amigos. O ponto de encontro era o Tremelgo, pois era um local frondoso, um verdadeiro paraíso. Muito arborizado, e ainda é um dos mais bonitos da Mata, propriedade das Matas Nacionais. Atravessado pela vala da Quinta, e o seu ribeiro de águas límpidas, nas quais abundava um peixe chamado “tremelga”, que deu o nome ao lugar. Antigamente o mar chegava às Matas, e prova disso mesmo, são as dunas, em certos locais se cavarmos ainda poderemos encontrar areia igual à do mar. Era neste local que se estendiam as mantas de retalhos no chão, os lugares disponíveis neste lugar, eram disputados “palmo a palmo”. Servia-se o “tradicional coelho com ervilhas, os pastéis de bacalhau, e a fatia de pão-de-ló, tudo isto “regado de boa pinga”. Aqui jogava-se às cartas, dormia-se a sesta e à tardinha iam dançar nos bailes que, na altura se tornaram bastante famosos, atraindo centenas de pessoas, ficando alguns nomes muito conhecidos, como era o caso de, por exemplo, Vítor Batista (tocador de concertina). No regressar, que era também uma festa, que se enfeitavam as carroças com ramos de verdura e flores campestres: a Espiga. Foi entre os anos 30 e os anos 60 que começou a ser utilizado o chamado “comboio de lata” que algumas famílias alugavam para as levar às Matas. Este partia cedo da estação de Pedreanes, aguardava as pessoas na Guarda Nova, onde actualmente existem as casas da Guarda. Este seguia Mata fora até chegar a chegar a São Pedro de Moel, no local onde hoje existe em dia o Posto de Turismo. Os passageiros do referido comboio, continuavam a levar as suas mantas e a merenda. Algumas pessoas iam para o pinhal, visitavam a Ponte Nova, enquanto outras iam “molhar os pés”, jogavam à bola, etc. No ano de 1929, o Engenheiro Silvicultor Arala Pinto, mandou fazer um estudo às espécies de peixes de peixes existentes nos ribeiros, rios e valas que banhavam a Mata, com relação às valas que banhavam o viveiro do Tremelgo. Para além de outras espécies, existia o peixe-espinho (Gasterosteus Aculectus), que provocava pequenos choques, provocados pelo contacto com os seus espinhos, que eram sentidos pelas mulheres que iam lavar a roupa na ria.


Associações, Clubes e Colectividades do Concelho da Marinha Grande


Nos finais do século XIX, que começaram a ser fundadas as primeiras associações de cultura, recreio, instrução e desportos, depois da realização dos VI Jogos Olímpicos em Antuérpia (Bélgica) na década de 1920. A partir desta altura surgiu um forte “boom” desportivo, ao qual também os marinhenses não ficaram imunes, especialmente os jovens. Existindo inicialmente alguns jogos, que eram praticados para entretenimento (chinquilho, jogo do pau, bilhar, etc.).

Colectividades

Ainda hoje existem colectividades, que desenvolveram várias actividades culturais, recreativas e desportivas. Destacando-se entre outras:


Atlético Clube Marinhense (A.C.M.)

( foto retirada do site www.google.pt)



O qual foi fundado no dia 01 de Janeiro de 1923, tendo várias actividades desportivas, destacando-se principalmente o futebol. No mesmo ano, foi construído no Pinhal da Feira o primeiro campo de futebol, que foi inaugurado a 01 de Maio. Mais tarde, veio a construir-se o Campo da Portela.




Sport Operário Marinhense (S.O.M.)


( foto retirada do site www.google.pt)



Foi fundado no dia 31 de Janeiro de 1923. Inicialmente as suas instalações situavam-se num dos prédios dos Matos, na avenida 01 de Maio. Passando na década de 30 para a rua Pereira Crespo, mudando-se pouco depois para a rua Alexandre Herculano. Situando-se actualmente nas antigas instalações da Sociedade Produtora de Vidraça Prensada, conhecida por “Fábrica das Bengalas”, na rua 25 de Abril. Inicialmente também esta Colectividade se dedicava ao futebol, tendo mesmo um campo designado por “Campo da Biquinha”, passando a dedicar-se a partir da década de 30, apenas os desportos de salão: bilhar, xadrez e ténis de mesa.


Sport Lisboa e Marinha (S.L.M.)




( foto retirada do site www.google.pt)



A Colectividade de S.M.L., dedica-se essencialmente à prática do futebol, sendo esta fundada no dia 01 de Janeiro de 1939. Actualmente tem a sede no “campo da Ordem”. No início dedicou-se também a outras modalidades, tais como: o atletismo, ciclismo, ténis de mesa, voleibol, basquetebol. A referir que a Colectividade possui uma escola de patinagem.

Sociedade de Beneficência e Recreio 1º de Janeiro Ordem


A 01 de Janeiro de 1939, foi fundada a Sociedade de Beneficência e Recreio 1º de Janeiro, na Ordem, funcionou no seu início em casa de Maia Lucas, na rua Júlio Esperança Brito. A sede que actualmente se conhece foi inaugurada no dia 11 de Agosto de 1939, com a actuação a Troup Jazz “Os Fixes”. No âmbito cultural, destacar-se-á o grupo cénico, tendo como produtor e encenador Zeferino André. A colectividade dedica-se também a práticas desportivas.


Sporting Clube Marinhense (S.C.M.) – Embra

Foi fundado na Embra a 29 de Janeiro de 1939. No início funcionou numa casa alugada, pertencente à família Grácio. A inauguração da sua sede foi em Maio de 1944, dedicando-se nos primeiros anos aos desportos de salão. Mais tarde, passou à prática de andebol, basquetebol, hóquei em patins e patinagem, graças à inauguração de um ringue de patinagem, no dia 28 de Dezembro de 1966. No âmbito cultural, destacam-se o teatro, a realização de várias palestras e colóquios de carácter desportivo e cultural.

Clube Desportivo de Casal Galego


Começou o seu percurso no dia 19 de Março de 1941, numa casa alugada, situada na rua 37, sendo o seu aniversário comemorado com um grandioso baile. Dedicando-se de alguns anos para cá, juntamente com a Câmara Municipal, à realização da Feira de Artesanato e Gastronomia (F.A.G.), obtendo muito sucesso a nível local e mesmo nacional. As suas duas primeiras edições, foram realizadas no clube organizador, Clube Desportivo de Casal Galego. Nascendo em 1988 a F.A.G. esta feira pretende mostrar os artesãos, assim como a gastronomia do Concelho. O clube também se dedica ao teatro infantil, corridas de bicicleta, ginástica e desportos de salão.



Industrial Desportivo Vieirense (I.D.V.)


Fundado em 1946, no dia 22 de Dezembro, também esta Colectividade está ligada ao desporto (futebol). Até há bem pouco tempo, funcionou no antigo salão “Os Futuristas”. A sua sede actual funciona no campo Albano Tomé Féteira. De 1946 a 1966, os jogos realizavam-se no campo do Ribeiro de Tábua. A partir de 1967, estes passaram a ser realizados no campo que actualmente conhecemos. No âmbito cultural e recreativo, nasceu o grupo dramático que representava várias peças de teatro, como por exemplo: “Os Jogais da Ordem” ou “Saber ou Sorte”, cuja encenação esteve a cargo de Zeferino André.

Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Marinha Grande


( fotos retiradas do site www.google.pt)


Fundada a 02 de Outubro de 1899, pelos operários da Real Fábrica de Vidro, tendo actualmente, aproximadamente cerca de 3500 associados. As suas primeiras instalações situavam-se no edifício da Velha Fábrica de Resinagem (mais tarde, o Mercado Municipal, que actualmente já fechou). Estas instalações foram cedidas pelos serviços municipais, sendo esta a mais antiga associação da cidade da Marinha Grande. Foram aprovados em Maio de 1900, os novos estatutos da Associação Humanitária. Também foram desenvolvidas outras actividades de carácter desportivo, recreativo, instrutivo e cultural. Na altura foram então criadas, uma banda de música e um grupo de teatro amador, com o intuito de angariar fundos para a aquisição de material para os Bombeiros Voluntários. Foram feitas várias diligências com a intenção de obter um terreno que permitir-se a construção de um quartel, onde se encontra actualmente (Rua dos Bombeiros - Marinha Grande), este foi cedido a título perpétuo. Em 1982, foi demolido e novamente construído no mesmo local (mais ampliado). Foi graças a esta associação, que em 1930 se deve a criação do primeiro Posto Médico e de Socorros da Marinha Grande. Actualmente possui uma larga variedade de equipamentos de socorro, com relação á sua actividade. Também tem actividades desportivas.


Associação de Dadores Benévolos de Sangue do Concelho da Marinha Grande

A Associação dos Dadores de Sangue, existe na Marinha Grande desde 18 de Setembro de 1976, embora a data oficial seja a partir do dia 24 de Junho de 1980. As dávidas recolhidas nestas instalações, destinam-se a fins terapêuticos, a feridos e doentes. É reconhecida com entidade pública desde 1982. Inicialmente teve a sua primeira sede no quartel dos Bombeiros, depois passou para uma garagem, pertencente ao Sr. António Barros, na Rua Januário Martins. Mais tarde mudou-se para as instalações do Clube Marinhense. A 01 de Janeiro de 1988, mudou-se para as instalações da Avenida Vítor Galo, onde se encontra ainda hoje, possuindo também outras sedes na Martingança, Pilado, Vieira de Leiria.


Associações e Colectividades do Conselho



1. Associação Cultural e Recreativa da Comeira 2. Associação dos Dadores Benévolos 3. Associação de Desenvolvimento e Cooperação Atlântida 4. ADESER - Associação de Desenvolvimento Social e Económico da Região da Marinha Grande 5. Associação Distrital de Judo de Leiria 6. Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Marinha Grande 7. ANOA - Associação Nacional de Observação Astronómica 8. APIAMG - Associação do Património Industrial e Artístico da Marinha Grande 9. Associação Portuguesa de Deficientes 10. A.P.P.A.C.D.M. 11. Associação Sindical União dos Reformados Pensionistas e Idosos 12. Associação Tocándar - Grupo de Percussão 13. Associação de Xadrez de Leiria 14. Atlético Clube Marinhense 15. Biblioteca de Instrução Popular 16. Biblioteca de Instrução e Recreio 17. Bombeiros Voluntários de Vieira de Leiria 18. C.B. Rota do Sol 19. Centro de Full Contact da Marinha Grande 20. Clube de Atletismo da Marinha Grande 21. Clube de Amadores de Pesca Desportiva de Marinha Grande 22. Clube Automóvel da Marinha Grande 23. Clube dos Caçadores do Concelho de Marinha Grande 24. Clube de Caça e Pesca da Vieira 25. Clube de Campismo da Marinha Grande 26. Clube Desportivo de Casal Galego 27. Clube Desportivo da Garcia 28. Clube Desportivo e Recreativo da Amieira 29. Clube Marinhense 30. Clube Recreativo Amieirinhense 31. Clube de Ténis da Marinha Grande 32. Comissão Unitária dos Reformados Pensionistas e Idosos 33. Corpo Nacional de Escutas 34. Desportivo Náutico da Marinha Grande 35. Escola de Judo "Estrela Marinhense" 36. Escola de Música do Sport Operário Marinhense 37. Escola de Música de Vieira de Leiria 38. Estrela do Mar Futebol Clube 39. Futebol Clube "Os Belenenses" 40. Gimnocentro 41. Grupo Desportivo Cultural e Recreativo da Estação 42. Grupo Desportivo da Praia da Vieira 43. Grupo Desportivo e Recreativo das Figueiras 44. Grupo Desportivo "Os Vidreiros" 45. Industrial Desportivo Vieirense 46. Jardim Pequeninos da Vieira 47. Juventude Operária Católica 48. Movimento Democrático das Mulheres 49. Núcleo de Xadrez da Marinha Grande 50. Rancho Folclórico de Picassinos 51. Rancho Peixeiras da Vieira 52. Santa Casa da Misericórdia 53. Sociedade de Beneficência e Recreio 1º de Janeiro (Ordem) 54. Sociedade Columbófila Marinhense 55. Sociedade Columbófila da Ordem 56. Sociedade Desportiva e Cultural das Trutas 57. Sociedade Desportiva e Recreativa Garciense 58. Sociedade Desportiva e Recreativa do Pilado e Escoura 59. Sociedade de Instrução e Recreio 1º de Maio (Picassinos) 60. Sociedade Instrutiva e Recreativa 1º de Dezembro (Pêro Neto) 61.Sociedade União de Albergaria 62. Sport Império Marinhense 63. Sport Lisboa e Marinha 64. Sport Operário Marinhense 65. Sporting Clube Marinhense.



Cultura

Teatro


( foto retirada do site www.google.pt)


Uma das mais fortes raízes culturais do Concelho da Marinha Grande fundou-se no teatro. As ligações às artes cénicas vêm desde o século XVIII, ao Teatro da Real Fábrica de Vidro que Guilherme Stephens edificou e onde durante cerca de duas centenas e meia de anos os operários vidreiros representaram e viram representar. Desde 1911 o grupo cénico dos Bombeiros Voluntários da Marinha Grande iniciou a sua actividade. As pessoas que se notabilizaram como actores, músicos e ensaiadores, estavam directamente ligados ao espírito voluntário dos Bombeiros, ora como participantes do corpo activo ou, simplesmente como associados. Este era um processo de evasão e de divulgação cultural que era necessário oferecer à sociedade. Nos primeiros tempos as peças representadas eram de teatro sério ou comédia de invocação local. Não se conhecem pormenores sobre estes tempos iniciais. Também no teatro se deve falar de Ilídio Duarte, autor de teatro de rara sensibilidade. Apresentou duas interessantes comédias, “Memórias da Marinha Grande” e “Pontos e Virgulas”, segundo o Autor eram revistas. O grupo cénico dos Bombeiros Voluntários da Marinha Grande duraria para além de 1935 já com a designação de grupo cénico do Teatro Stephens. No decorrer destes tempos representavam-se várias récitas, sempre com fins beneficiantes, quer para os próprios Bombeiros, ou ainda para outras instituições de solidariedade social. A referir ainda outros grupos que se foram formando e que ficaram recordados pelos sucessos que tiveram na época, tais como o Grupo de Teatro do Sport Operário Marinhense, que conheceu o auge há alguns anos, com a peça “A Soprar se vai ao Longe” relativo à história Marinhense.


Cinema

Em 1926 também no teatro Stephens, apareceu pela primeira vez, o cinema mudo. Foi graças aos Bombeiros voluntários que na altura decidiram comprar um animatógrafo, para angariarem fundos para os bombeiros. Sete anos depois, em 1933, foi adquirido um ”magnífico aparelho de cinema sonoro” a cuja inauguração assistiram todas as forças vivas da vila. Nesse dia foi projectado o filme “Um Valente”. Em 1935, deitaram abaixo o Teatro para no mesmo local construir um novo, foi nessa altura que começou a aparecer pela Marinha Grande cinema ambulante, dos quais há a destacar a companhia de teatro e cinema Rentini, o espectáculo era feito numa tenda normalmente no Largo Ilídio de Carvalho ou no recinto da Feira. O teatro Rafael de Oliveira também se fazia numa barraca. Recorda-se que por aqui passaram, por este cine, teatro desmontáveis, figuras da “cena” Portuguesa como foram, Rafael de Oliveira, Ema de Oliveira, Dora Vieira, Adelino Campos ou Camilo de Oliveira. Por falta de condições, em Agosto de 2007 foi encerrada a sala de Cinema do Teatro Stephens da Marinha grande. Desta Forma, a população da Marinha Grande, sempre que desejar ir ao Cinema tem que procurar outra sala de Cinema. Neste momento só têm a sala de Cinema da Vieira de Leiria. Podem também deslocar-se à Cidade de Leiria.

Comboio de lata


( foto retirada do site www.google.pt)

O Comboio de Lata começou a circular na Mata Nacional no dia 6 de Fevereiro de 1923,chamava-se Decauville, mas foi baptizado pelo Dr.Manuel Francisco Alves que disse por brincadeira “ Um comboiozinho de brinquedo! Um comboio de lata!“ e assim ficou conhecido…Devido aos elevados custos com o transporte de madeira da mata, que era feito por juntas de bois, foi necessário arranjar algo mais rápido e menos dispendioso, e assim os Serviços Florestais adquiriram um comboio que veio da Alemanha, e era composto por três máquinas alimentadas a lenha e vários vagons onde se transportava a madeira.Circulou durante 42 anos (acarretou pinheiros, madeiras e lenhas, mas também pedra e areia para a construção de estradas.)O pequeno comboio era cedido em épocas festivas, como no dia 1º de Maio e na 5ª Feira da Ascensão, aos operários vidreiros, que o enfeitavam e iam festejar o dia do Trabalhador na Ponte Nova. Servia também para transportar os garotos das escolas a passeios dentro da Mata e até às praias, acompanhados pelos professores e alguns familiares, levando as respectivas merendas. Era sempre um dia cheio de alegria e inesquecível.Quando deixou de circular, a população da Marinha Grande sentiu muito a sua falta…Parte do comboio foi vendida em hasta pública, sendo colocado uma locomotiva e um vagão de passageiros no dia 1 de Agosto de 1974 ainda impecáveis e a funcionar no Parque Arala Pinto, em S.Pedro de Moel, junto ao Bar Bambi.Devido ao seu estado avançado de degradação, está hoje nos estaleiros municipais, e deverá ser no âmbito do Projecto do Museu Nacional da Floresta, colocado a circular, por meio de energias alternativas, num dos troços da antiga linha de caminho-de-ferro da Mata Nacional.

Bibliografia
Texto: Livro "Ao Encontro com o Passado" de Deolinda Bonita

Jogos Tradicionais

Jogo do Chinquilho


( foto retirada do site www.google.pt)

Também conhecido por jogo da malha, é apenas jogado por homens, aos Sábados e Domingos, depois do almoço nos largos junto às tabernas ou cafés ou nos adros das igrejas. De malhas de ferro na mão, cada jogador lança a sua para um tabuleiro de madeira, ganhando o jogador que derrubar o pau em primeiro lugar, situado a uma distância de 30 metros.


Jogo do berlinde


( foto retirada do site www.google.pt)


Antigamente, as crianças, quando começavam a trabalhar nas indústrias do vidro, com os restos de vidro que sobravam nas canas de soprar o vidro, faziam berlindes. Na rua juntava-se a canalhada e entretiam-se no jogo, que consistia em fazerem várias barrocas no chão e através de uma distância considerável, mandavam com os dedos os berlindes para acertar nas barrocas.



TRADIÇÕES


A sacha do milho


Nos meses de Junho e Julho, as mulheres iam sachar o milho. Cantavam enquanto trabalhavam arduamente. Quando os jovens descobriam uma espiga vermelha tinham direito a um abraço de quem mais gostavam e se a espiga fosse sarapintada, dava-se um beliscão a quem a encontrava.

Poema

Descamisadas

"No mês de Setembro

Ceifado o milho e levado

para a eira

Se bem me lembro

Era uma brincadeira

Separava-se a maçaroca do caule

À tardinha, debaixo das estrelas

Já com a voz rouca de tanto cantarolar

Juntava-se a vizinhança

e assim iam começar

Num banquinho de madeira

se iam sentar

À beira da espiga

para a irem descamisar

Queriam encontrar espiga encarnada

Para um beijo darem à sua apaixonada"

Poema adaptado do livro " Ao encontro do passado" da autoria de Deolinda Bonita

Carnaval


Dia de Carnaval Durante os três dias, antes da Quarta-feira de Cinzas toda a gente vestia roupas velhas e ia brincar ao Carnaval. Os homens vestiam-se de mulher e as mulheres vestiam-se de homens. Nestes dias eram costume pedir-se "carne para o espeto". Faziam-se espetadas com carne toucinho, cebolas e por vezes até sardinhas. Os mascarados, corriam felizes exibindo as espetadas na mão.

Matança do porco


( foto retirada do site www.google.pt)

No início do Inverno, realizava-se a matança do porco. Os homens seguravam no animal e com o cebolão, espetavam no coração, posteriormente era chamuscado, raspado e aberto, separando as carnes. As mulheres ocupavam-se de lavar as tripas, normalmente faziam-no em fontes e ribeirinhas naturais, para em seguida fazerem as morcelas de arroz. À noite reunia-se a família para o jantar: cachola de cebolada, migas e morcelas assadas na brasa.



Brincadeiras e brinquedos de antigamente

Ir à Fruta


( foto retirada do site www.google.pt)

Antigamente não existia praticamente entretenimento para as crianças. Por esse motivo, e como também tinham carência de alimentos, entretinham-se a ir aos quintais alheios “roubar”, fruta. Era divertido subir às árvores, para competir a destreza de saber trepar e saborear ou até mesmo encontrar a árvore que tivesse as melhores frutas.O inconveniente eram os vizinhos que não apreciavam que os seus quintais fossem invadidos. Por vezes, estes tornavam-se violentos ou então ignoravam.

Barcos de carrasca


( foto retirada do livro " Património do Nosso Brincar, Brinqedos e Jogos das 4 Cidades")


Por estar localizada perto do pinhal do Rei, os miúdos faziam das carrascas barquinhos para brincarem no rio ou no mar.Estes eram modulados com facas ou navalhas.

Bonecas de palhas do Milho


( foto retirada do livro " Património do Nosso Brincar, Brinquedos e Jogos das 4 Cidades)



Na época das descamisadas, faziam-se sempre bonecas com as palhas do milho.Colocavam dois paus, cobertos com palha, atados com ráfia em cruz e forrado com trapos. O cabelo era feito das barbas de milho, os olhos e a boca eram feitos com os grãos de milho.


Papagaios de papel

( foto retirada do site www.google.pt)



Chamados os “papagaios de canos”, eram feitos principalmente no verão, para brincar na praia ou em descampados.Eram feitos de canas e de papel de jornal; a cola era feita das ameixas, da qual se guardava o líquido num frasco durante algum tempo, para depois ficar mais consistente, e assim poderem prosseguir com a colagem dos materiais utilizados.


Jogar à bola


( foto retirada do livro " Património do Nosso Brincar, Brinquedos e Jogos das 4 Cidades)



Faziam bolas com as bexigas dos porcos, na altura da matança do porco.A bexiga era enchida com ar, (tipo balão), e jogava-se à bola até esta rebentar.Outras eram feitas de trapos. Enchiam-se meias com trapos velhos.

Gastronomia

Sopa de Bacalhau ou Sopa do Vidreiro



( foto retirada do site www.google.pt)


Esta sopa era o habitual almoço dos vidreiros e era feita pelas mulheres ou as filhas que lhes levavam o almoço, para o comerem no pátio das fábricas.O bacalhau era um alimento que não era muito caro. Para aqueles que não tinham possibilidades, a sopa era feita com água de cozer uma posta de bacalhau que, cortada em pequenos bocados dava para mais pessoas, ou então só com os rabos de bacalhau, pois as postas davam para outra refeição.

Ingredientes:

Pão partido aos bocados
Broa em pequenos bocados
Bacalhau – bocados ou lascas
Batatas cozidas
Ovo escalfado
AlhoAzeite cru
Água

Confecção:

Numa taça grande colocam-se os bocados de pão, broa e dentes de alho partidos ou esmagados. Deve-se rega-se com azeite cru e juntar as batatas cozidas, cortadas às rodelas e os pedaços de bacalhau. Deita-se a água de cozer o bacalhau, bem quente, em quantidade suficiente para depois de ensopar o pão ainda restar caldo. No fim, adicionam-se os ovos escalfados.

Canja de Borracho


( foto retirada do site www.google.pt)
Ingredientes:

1 Pombo
1 Cenoura
2 Nabos
1 Alho Francês
1 Cebola
1 Repolho
100 g de Arroz
2 C. Sopa manteiga
Salsa Picada
Dentes de alho
Azeite
Sal q.b.

Confecção:

Prepara-se o pombo e corta-se aos pedaços, deixando-o a cozer em água temperada de sal. Assim que estiver quase cozido, deita-se o arroz, os nabos e as cenouras picadas, deixando levantar fervura durante 20 minutos. Numa caçarola faz-se um refogado com manteiga, os alhos, a cebola e o repolho, tudo picado. Adiciona-se este refogado à sopa e faz-se ferver durante algum tempo. No momento de servir a sopa, junta-se a salsa picada.



Licor de leite ( foto retirada do site www.google.pt)

O licor de leite teve origem no século passado. Um marinhense fazia o saboroso licor, para consumo próprio e de alguns amigos. Com o passar dos tempos, o licor começou a ter fama, tornando-se num dos produtos mais tradicionais da Marinha Grande. Por volta dos anos 50, foi inaugurada a fábrica de Licores Coelho e Galo, que produzia este licor.Em 1974 foi vendida a outra empresa, fora da Marinha Grande, e o licor deixou de ter a fama que tinha, deixando quase de ser produzido. Em 1979, um comerciante de Vieira de Leiria, interessou-se pela produção deste licor. Desde então milhares de litros de licor começaram a ser feitos através de métodos tradicionais e destinados ao mercado nacional.Hoje em dia o Licor de Leite da Vaquinha é comercializado nos distritos de Leiria, Castelo Branco, Leiria e zona de Torres Novas.

Ingredientes:

0,5l leite
0,5l de aguardente
0,5kg de açúcar louro
1 Pau de canela
1 Casca de limão

Confecção:

Mistura-se o leite com a aguardente e o açúcar louro, junta-se a casca de limão e o pau de canela. Deixa-se tudo em fusão durante 24 horas. Coloca-se um filtro numa garrafa e passa-se o preparado.


Bolos de Pinhão

( foto retirada do site www.google.pt)

Por haver muitos pinheiros na região, esta receita ficou a pertencer ao nosso menu gastronómico.


Ingredientes:

350 Gr de pinhão torrado
1Kg de açúcar branco
4 Claras de ovos
Raspa de limão
Canela em pó (pode dispensar-se)

Confecção:


Batem-se as claras em castelo, junta-se o açúcar, mexendo sempre, depois a raspa de limão, o pinhão inteiro e a canela. Mistura-se até estar bem espesso, mas com cuidado para os pinhões não ficarem esmagados. Num tabuleiro untado com azeite e polvilhado com farinha, deita-se o preparado da massa. Vai ao forno até a massa cozer e os bolos ficarem bem tostados.( pinhao)


Enfiadas de Pinhão

( foto retirada do site www.google.pt)



Os pinhões são enfiados em linhas, um a um, formando colares. Nos nossos dias podemos encontra-los nas praias, festas e mercados da região.
Os marinhenses têm como prato tradicional na quinta-feira da ascensão, feriado municipal da Marinha Grande, o coelho com ervilhas. A tradição diz para se fazer um piquenique na mata onde se come o coelho.


Coelho com Ervilhas

Ingredientes:

1 Coelho de 1 quilo aproximadamente
1 (sopa) de sal
1 Copo de vinho branco seco
5 Cenouras
1 Lata de ervilhas
1 Cebola ralada
3 Dentes de alho
3 Tomates picados
Pimenta
Margarina
Manjerona
Louro
Orégãos
Óleo

Confecção:


Temperar o coelho com vinha d’alho (com vinho branco), sal e todos os temperos, durante 3 horas. Refogar os pedaços de carne até ficarem dourados. Juntar os tomates ao coelho e depois a vinha d'alho, cenoura em rodelas e as ervilhas. Deixar cozinhar 10 minutos e juntar um pouco de vinho. Cozinhar até ficar tenrinho e servir com arroz branco.


Pasteis de Bacalhau

( foto retirada do site www.google.pt)


Ingredientes:

250 Gramas de bacalhau do lombo
200 Gramas de batatas
1 Cebola
2 Colheres de sopa de salsa picada
4 Ovos
Noz-moscada
Sal q.b.
Pimenta
Óleo para fritar

Confecção:


Escorra o bacalhau demolhado, retire a pele e as espinhas.Esfregue-o para se desfazer em fios. Coza as batatas com casca, quando estiverem cozidas descasque-as e faça um puré.Num tacho coloque o bacalhau já desfiado, o puré de batata, a salsa e a cebola picada. Envolva tudo muito bem e tempere com sal, pimenta e noz-moscada.Junte os ovos um a um mexendo muito bem de maneira a ficar tudo uniforme.Por último molde os pastéis com a ajuda de 2 colheres de sopa.Frite em óleo e sirva quente.


Pão-de-ló

( foto retirada do site ww.google.pt)

Ingredientes:

250 Gr de açúcar
6 Ovos
75 Gr de farinha de arroz
75 Gr de fécula de batata
1 Colher (chá) de fermento em pó
Um pouco de manteiga e farinha

Confecção:

Ligue o forno à temperatura de 180C. Separe as gemas das claras. Bata as gemas com o açúcar peneirado até obter uma gemada volumosa e esbranquiçada. Junte gradualmente e sem bater, as claras batidas em castelo. Envolva então os dois tipos de farinha e o fermento que devem já estar misturados e peneirados. Misture cuidadosamente e coloque o preparado numa forma de abertura ao meio, bem untada com manteiga e polvilhada com farinha. Aqueça o forno e, depois de quente, leve a cozer durante cerca de meia hora. Depois de frio desenforme.


Matança do Porco

Os pratos típicos da matança do porco, faziam-se em grande parte nas habitações, que tinham no seu quintal, o curral, onde criavam o porco para matar pela altura do Natal.Dessa matança, faziam-se as morcelas de arroz, o chourição, o negrito, torresmos e o lombo de porco fumado.


Cachola de Cebolada

Ingredientes:

Cachola (fígado de porco)
Vinho branco
Banha q.b
2 Cebolas
1 Cabeça de alhos
Pimentão-doce
Cominhos
Sal q.b


Confecção:

Frite a cachola ligeiramente e juntam-lhe os temperos.10 Minutos depois, prova-se e rectificam-se os temperos.Deixa-se apurar bem.


Migas


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Ingredientes:

1 Pão alentejano médio
Azeite, alho e louro
Umas rodelas de linguiça
Sal q.b

Confecção:

Corta-se o pão em fatias e demolha-se em água de maneira a não se desfazer muito.Frita-se a linguiça no azeite juntamente com o alho e o louro.Junta-se o pão demolhado rectificando o sal e adicionando um pouco de água sem ficar muito seco.Mexe-se até a pasta ficar em bola.


Morcelas assadas na brasa




( foto retirada do site www.google.pt)

Ingredientes:

250 G de toucinho gordo
1 Morcela
150 Gr de salsichas
600 Lombo de carne de porco
1/2 Kg de arroz
3 Colher (sopa) de banha
2 Cebolas
Q.b. de sal
Q.b. de pimenta preta moída

Confecção:

Tempere o lombo de porco e ponha-o no forno a assar com uma colher de banha, vire-o de vez em quando até estar assado.Corte o toucinho em pedacinhos pequenos e leve metade ao lume num tachinho junte uma colher de banha a derreter. Quando bem derretidos, retire os torresmos e deite no tacho duas vezes o volume de arroz, ou seja, por cada taça de arroz deite duas taças. Adicione o restante toucinho, a cebola picada e o sal e tempere. Quando a cebola estiver cozida, junte o arroz, mexa e deixe cozer em lume brando até o arroz ficar enxuto.À parte coza as morcelas e frite as salsichas na restante banha. Acompanhe o arroz com as morcelas, salsichas e a carne assada. Decore com azeitonas, salsa e tomate cortado.


Vieira de Leiria

Carapaus abertos


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A tradição de secar carapaus ao sol abrange a zona da costa litoral oeste. Usa-se na Nazaré e também na Vieira de Leiria.Nos carapaus de tamanho médio são retiradas as tripas. Abrem-se verticalmente, ficando a espinha e a cabeça. Lavam-se em água com sal, deixando-os assim de um dia para o outro. Secam-se com um pano e espalmam-se, sem separar as duas metades. Colocam-se em caixas de madeira, de modo a que haja a circulação do ar por baixo da caixa. Deixam-se ficar assim uns dias ao sol até secarem bem.Depois de estarem secos assam-se na brasa e servem-se com batatas cozidas, temperadas com azeite e vinagre.


“Não há terra como a minha
Nem lugar como a Vieira
Nem peixe como a Sardinha


Nem moça como a solteira.

Quadra popular


Caldeirada


( foto retirada do site www.google.pt)


Ingredientes:

2 Cebolas cortadas em rodelas finas


3 Dentes de alho fatiados
1 Pimento vermelho cortado em tiras
1 Pimento verde cortado em tiras
1 Tomate maduro cortado em pedaços
1 Folha de louro
1 Kg de batatas cortadas em rodelas finas
1 Kg de berbigão
2 Postas de atum vermelho fresco cortadas em metades
3 Postas de pata-roxa
3 Postas de safio
1 Colher (sopa) de piripiri
1 Dl de vinho branco seco
1 Pitada de açafrão
1 Dl de azeite
3-4 Hastes de salsa
Sal & pimenta

Confecção:

Deixe de molho o berbigão em bastante água fria com uma macheia de sal grosso com várias horas de antecedência. Lavar em água fria corrente e escorrer. Guarde.Dissolver o piripiri e o açafrão no vinho branco. Guarde.Colocar o berbigão no fundo de uma panela de barro grande. Colocar por camadas a cebola, a batata, o alho, as tiras de pimento, o peixe, a salsa e o tomate por cima. Juntar a folha de louro. Tempere com sal e pimenta.Regue com o azeite e vinho branco. Tape com uma tampa e cozinhar em lume brando até as batatas ficarem cozidas. Sacudir a panela de vez em quando para difundir o calor. Verificar os temperos e servir de seguida, com pão saloio ou alentejano.


Arroz de Marisco


( foto retirada do site www.google.pt)


Ingredientes:

500 Gr de mexilhão
400 Gr de arroz
500 Gr de amêijoas
500 Gr de camarão
4 Bocas de sapateira
4 Colheres de sopa de azeite
1 Cebolas médias picadas
50 Gr de margarina
2 Dentes de alho picados
1 Molhinho de coentros
Picante q.b.
Sal
1 Dl de vinho branco


Confecção:

Aproveite a água da cozedura, e deixe alguns camarões inteiros para decorar. Faça um bom caldo com as cascas e as cabeças do camarão. Faça um refogue com os alhos picados e as cebolas no azeite e margarina, junte o caldo e o vinho, deixe levantar fervura, e junte o arroz (para 1 chávena de arroz, 4 chávenas de caldo) deixe cozer +/ – 12 minutos, junte os mariscos e os coentros picados, prove os temperos e deixe ao lume por mais 3 minutos. Retire o tacho do lume e decore com alguns camarões inteiros, servindo de imediato. Se gostar pode juntar ao refogado um tomate maduro, sem peles e grainhas, picado.

Polvo


( foto retirada do site www.google.pt)



Este concelho também vive muito do mar. Na maré baixa muitas pessoas deslocam-se à praia parar apanhar marisco. Também é praticada a pesca à cana. Um peixe muito confeccionado nesta zona é o polvo. Este peixe tem várias maneiras de ser confeccionado sendo a mais tradicional o polvo seco que depois de cozido ou grelhado se corta muito fino e se tempera com azeite, vinagre, alho às rodelas e pimenta.


Mexilhões na telha



( foto retirada do site www.google.pt)


Há vários pratos de mexilhão, mas o mais tradicional e apreciado é o mexilhão na telha. Este prato é confeccionado colocando o mexilhão numa telha de canudo sobre brasas, e quando a telha estiver quente, colocam-se nela os mexilhões para abrirem.

Robalo ao sal


( foto retirada do site www.google.pt)

São vários os peixes da nossa costa. Por isso podemos confeccionar vários pratos, tais como o robalo ao sal.


Ingredientes:


1 Robalo


Sal


Confecção:


Coloque o robalo num tabuleiro e coberto com uma grande camada de sal grosso e vai a assar no forno até o sal ficar muito rijo.O sal é depois partido e retirado o peixe.